segunda-feira, 7 de maio de 2018

Fobias estão em alta no Paraná, mas quem tem medo não procura ajuda Problema atinge pelo menos 10% da população. No Paraná, são mais de 1,1 milhão

Medo todo mundo tem. Mais que natural, é algo até racional, uma questão de sobrevivência. O problema, contudo, é quando esse medo se torna algo exagerado, exacerbado. Aí já não se trata mais de mero medo, mas de uma fobia. E se tem algo que não falta nesse mundo é fobia, ao ponto de existir até mesmo um Dicionário de Fobias com mais de 1.000 verbetes fóbicos. 
E você, tem medo de quê? De acordo com um estudo feito pelo departamento de saúde da Universidade de Harvard, as fobias atingem cerca de 10% da população mundial. No Paraná, isso seria equivalente a existência de mais de 1,1 milhão de fóbicos. Ao longo dos últimos anos, contudo, tem aumentado a prevalência do problema, como aponta a psicóloga Salete Coelho Martins, fundadora da clínica Psicotran.
“As fobias com certeza têm se tornado mais comuns entre a população. As pessoas colocam aquilo de ‘ah, mas eu posso ser assaltado’, ‘pode ser que eu não consiga fazer algo’”, explica a especialista. “A maioria das pessoas não tem ideia de que isso é comum, acreditam que é algo só delas. Acreditam que é como se nascessem com um defeito, não entendem que outras pessoas podem ter”, complementa.
Em linhas gerais, existem três tipos majoritários de fobia: as fobias específicas, que são as mais comuns e se encaixam em casos como um medo diante de um animal específico, um determinado ambiente ou situação; as fobias sociais, em que o fóbico teme situações em que possa ser humilhado, embaraçado ou julgado pelos outros; e a agorafobia, que é o medo de estar em lugares públicos e diferencia-se da fobia social por estar associada a ataques de pânico.
Ainda segundo a psicóloga, é comum que, mesmo não estando próxima do objeto fóbico, a pessoa apresente sintomas de ansiedeade antecipatória. “Só de pensar no objeto já começa a ter os sintomas, que são: sudorese, mãos suadas, boca seca, coração acelerado, as pernas trêmulas. Tem pessoas que ficam com rubor no rosto, outras que têm até diarreia, enxaqueca”
Entre as crianças, fobias específicas costumam ser problemas de curta duração, que desaparecem em alguns meses. Já entre os adultos, cerca de 80% das fobias se tornam crônicas, ou seja, condições de longa duração que não serão superadas sem o tratamento adequado, podendo até mesmo evoluir para outros tipos de doenças psiquiátricas, especialmente transtornos de ansiedade, depressão e abuso de substâncias.

Qual a diferença de medo e fobia
Embora estejam intrinsecamente relacionados, medo e fobia são coisas diferentes. Na verdade, a fobia, como explica a psicóloga Salete Martins, seria um medo exagero, desmedido. A escola de saúde de Harvard, por exemplo, define fobia como um “persistente, excessivo, irrealista medo de um objeto, pessoa, animal, atividade ou situação”, esclarecendo ainda que se trata de um tipo de transtorno de ansiedade. 
“O medo é um sentimento natural, que todos temos. Se não tivessemos esse medo, atravessaríamos uma rua sem olhar, sem nos preocupar. Então o medo, na verdade, preserva nossa vida. Já a fobia é um medo exacerbado, a preocupação exagerada. São situações como você ver um cachorro passeando na rua e, diferente do que acontece com a maioria das pessoas, não suportar, não conseguir passar ao lado do animal, vendo ele como uma ameaça”, esclarece a especialista.

Quais são elas
As fobias mais comuns...*
  • Acrofobia: medo de altura
  • Aerofobia: medo de voar
  • Aquafobia: meo da água
  • Aracnofobia: medo de aranhas
  • Catsaridafobia: medo de baratas
  • Cinofobia: medo de cachorros
  • Claustrofobia: medo de lugares fechados, como elevadores
  • Escotofobia: medo de escuro que persiste após a infância
  • Glossofobia: medo de falar em público
  • Hematofobia: medo de sangue
  • Odontofobia: medo de dentistas
  • Aicmofobia: medo de agulhas
  • Amaxofobia: medo de dirigir
  • Fobia social: medo de pessoas e de se expor
  • Tanatofobia: medo da morte ou de morrer
  • Monofobia: medo de ficar sozinho
… E as fobias mais curiosas ou mais estranhas*
  • Afefobia: pavor de ser tocado por outra pessoa
  • Heliofobia: medo de estar exposto à luz do sol
  • Cacorrafiofobia: medo de errar, e falhar
  • Gamofobia: medo de se casar
  • Coulrofobia: medo de palhaços
  • Bromidrofobia: pavor de odores do corpo e medo de cheirar mal
  • Deipnofobia: medo de reuniões (como jantares) em família ou entre amigos
  • Eisoptrofobia: medo de espelhos e de se olhar neles
  • Hipopotomonstrosesquipedaliofobia: medo de palavras grandes
  • Lachanofobia: medo de vegetais
  • Filemafobia: medo de beijar
  • Teofobia: medo de Deus ou de religião
  • Unatractifobia: Medo ou aversão à pessoas feias
  • Medomalacufobia: medo de perder uma ereção, de brochar
  • Numerofobia: medo de números, da matemática. Também conhecida como fobia matemática
  • Ablutofobia: medo de tomar banho
* Quando descreve-se a fobia dizendo que é o ‘medo de alguma coisa’, entenda-se um medo irracional, exagerado. Veja o box “Medo x Fobia”
Fonte: Dicionário Igor de Fobias – para quem quiser consultar, alguns trechos da obra estão disponíveis no Google Books

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